Se direita chegar ao poder, a violência só vai aumentar, diz Genro

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Os ataques à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostraram que há "grupos privados de repressão, devidamente armados, que fazem da violência o seu método de disputa política", avalia o ex-governador gaúcho e ex-ministro Tarso Genro (PT). Durante a passagem da comitiva por Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, os petistas enfrentaram ovadas, bloqueios de estradas e até tiros.
Para Genro, a mensagem trazida pelas pessoas que praticaram os atos de violência é de que elas "se tornarão ainda mais violentas se a direita chegar ao poder".
"Acho que o que ocorreu na caravana foram agressões fascistas e criminosas contra uma caravana política de um partido político, que abre um precedente gravíssimo no país, semelhante àqueles ataques dos bandidos de Mussolini [ditador italiano] e de Hitler [líder do nazismo]", disse, por e-mail, ao BJPN. As respostas foram dadas antes da notícia de ataques a tiros contra ônibus da caravana de Lula no interior do Paraná.

Na última terça-feira (27), ônibus da comitiva petista foram atacados a tiros e tiveram seus pneus furados quando deixavam a cidade de Quedas do Iguaçu (PR), a cerca de 420 quilômetros a oeste da capital paranaense. Investigadores identificaram ao menos duas perfurações provocadas por tiros do lado esquerdo de um dos ônibus que compõem a caravana de Lula. O ex-presidente estava em um terceiro veículo, que não foi atingido. Ninguém ficou ferido.
Jornalistas também foram agredidos durante a caravana pela equipe de segurança de Lula. "Se ocorreu o ataque a algum jornalista, por parte de quem quer que seja, este deve ser apurado e as pessoas devem ser responsabilizadas", avaliou Genro.  
Pré-candidato mais próximo a Lula nas pesquisas de intenção de voto, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) marcou ato em Curitiba no mesmo dia em que Lula iria encerrar sua caravana, depois de dez dias, na capital paranaense.
Sem citar os tiros, Bolsonaro mencionou os ovos atirados contra a comitiva do petista na semana passada. "Lula quis transformar o Brasil num galinheiro. Agora está colhendo os ovos", disse.

Fora da eleição

Aos 71 anos, Genro não pretende disputar a eleição deste ano. "Acho que, neste momento, no meu caso pessoal, pleitos eleitorais não constituem o melhor campo para isso, nem uma vida partidária, fechada em querelas internas, é um campo propício para florescer coisas novas e ardentes".
Sobre Lula, o ex-governador acredita ser importante a participação do ex-presidente no pleito de outubro. Genro avalia que não haveria legitimidade de quem se elegesse numa eleição sem Lula.
"Em consequência, não se teria possibilidade de reconstitucionalizar o país", pensa. Para o ex-governador, apenas Lula tem "condições de unir o Brasil". "Se Lula não tem condições, ninguém tem."
O ex-governador acredita que "o PT cometeu erros". "E graves", disse, sem citar quais seriam. "Mas ainda é, dos grandes partidos, o que pode mudar o país para melhor", comenta.
A respeito da eleição presidencial, Genro tem uma posição similar à do governador baiano, Rui Costa (PT), de que, em um cenário com Lula impedido de disputar o pleito, o partido deveria estudar outras opções. "Acho que o PT deve ter um candidato e, se não tiver, deve apoiar um candidato que tenha uma identidade democrática de esquerda". Ele não citou o nome de nenhum especificamente.
Mas de uma coisa ele não abre mão: a ideia de que o PT não pode se aliar a partidos que apoiaram o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. "Sou contra alianças com partidos que apoiaram o impedimento de Dilma, pois isso seria de um cinismo que colocaria a totalidade do PT na vala comum dos partidos tradicionais."
Sem disputar cargos em eleição neste ano, Genro quer participar da política de outra maneira, formulando ideias. "Não sou e nunca fui um político profissional, nem de 'carreira', sempre lutei por ideais e por ideias."