"Governo se comunicou com pessoas erradas" na greve, diz França sobre Temer

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O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Márcio França (PSB), fez críticas à forma como o governo federal buscou negociar o fim da greve dos caminhoneiros nos últimos dias. Na sabatina UOL, Folha de S.Paulo e SBT, nesta quarta-feira (30), ele afirmou que o governo do presidente Michel Temer (MDB) "se comunicou errado" e "falou com as pessoas erradas" ao se reunir com representantes dos grevistas, no Planalto, na última quinta-feira (24).
A paralisação, embora já venha apresentando sinais de arrefecimento e com retomada do abastecimento em diversas cidades, entrou hoje no nono dia.
França sugeriu que as lideranças de movimentos ligados ao setor reunidos com representantes do governo federal na semana passada não representavam, de fato, a massa de grevistas que obstruíam as rodovias pelo país.
Após aquele encontro, o governo Temer anunciou o congelamento do preço do diesel pelo período de 15 dias e falou no fim da paralisação. A greve, no entanto, prosseguiu.
França assumiu, então, o protagonismo das negociações no fim de semana, quando realizou reuniões no sábado e no domingo, no Palácio dos Bandeirantes (sede do governo paulista), com representantes dos caminhoneiros e do governo federal, como o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun.
Na noite de domingo (26) Temer recuou e, em pronunciamento, comunicou que cederia ao pleito dos caminhoneiros de congelar o reajuste por 60 dias.
Questionado se sua atuação neste e em outros episódios recentes não poderia ser interpretada como "oportunismo eleitoral", França admitiu essa possibilidade de análise, porém afirmou que não pode ser omitir.
"Mas claro que que não é verdade [que estaria sendo oportunista]. A verdade é que qualquer um na condição de governador de São Paulo vai ter protagonismo, não tem como não ter", justificou.
"[As autoridades] Não devem fugir desaparecer, não devem desaparecer, se omitir... Certo ou errado, fiz a minha parte quando vi que o negócio não estava se resolvendo. O governo federal até que tentou, mas se comunicou com as pessoas erradas, aí deu tudo errado, foi uma sequência de equívocos", afirmou.
"Mas não foi intencional. Você acha que um presidente da República gostaria de ter essa confusão no colo dele? Claro que não. Mas de alguma forma o governo se comunicou errado e muita gente acabou se omitindo", completou.

Caminhoneiros provaram que eram as lideranças


Indagado sobre as garantias que teria tido de que, de fato, estava negociando com porta-vozes dos caminhoneiros, França afirmou que pediu aos participantes da reunião que desbloqueassem vias como o Rodoanel e a a rodovia Régis Bittencourt.
"Por WhatsApp, eles mandaram mensagens e, em 30 minutos, a Régis estava desbloqueada. Em 40 minutos, o Rodoanel. Estava provado, tinha uma prova consistente [dessa liderança]", alegou.
Para o governador, um dos principais pontos em que Temer errou em demorar na negociação foi sobre os 60 dias de congelamento do preço do diesel –demanda apresentada já em São Paulo, no sábado, juntamente com a não cobrança do eixo suspenso, nos pedágios, e a anulação das multas pelos dias parados.
Apesar dos erros, França considerou inviáveis os pleitos de parte dos grevistas de que Temer deveria ser deposto, por exemplo, por meio de uma intervenção de natureza militar. "Um presidente só sai se houver intervenção do legislativo", disse, ressalvando, por outro lado, a crise de confiança na sociedade também em relação aos integrantes do Legislativo.
Indagado se as concessões no caso da atual greve podem ser o estopim de uma rebelião tributária, conforme apontado por especialistas, França respondeu que isso não é descartado, mas minimizou que se trataria de uma questão mais pontual.

"Quase 90% da população aprova a greve dos caminhoneiros [segundo pesquisa Datafolha de hoje]. Mas elas [as pessoas que apoiam a paralisação], em si, não são ligadas a caminhoneiros. Elas estão insatisfeitas com tudo, e o movimento adensa, amalgama todo esse sentimento de revolta contra os impostos e contra tudo que se puder pagar", definiu.